Por que viver até os 140 anos?
E se pudéssemos viver até os 140 anos? Reflito sobre o que faríamos com esse tempo a mais e por que viver mais só vale a pena se for para viver melhor.

Who wants to live forever? (Quem quer viver para sempre?)
O Queen lançou essa música, na voz de Freddie Mercury, em 1986, para o famoso filme Highlander, que contava a história de um homem imortal que desejava não o ser.
Apesar do sucesso de ambos e do bom argumento de que o imortal se sentia sozinho após enterrar seus amores, século após século, a maioria de nós continuou sonhando com a possibilidade de superar a morte ou, ao menos, adiá-la o máximo possível.
E se eu disser que, em pouco tempo, poderemos ter a possibilidade de viver até os 130 ou 140 anos? Isso o alegra ou o assusta?
Há cientistas que acreditam que esse futuro pode estar próximo, e eu acompanho essa discussão de perto, como médico que trabalha com protocolos biológicos com células-tronco. E se o protagonista imortal de Highlander se lamentava pela solidão e pela morte de seus amores, confesso que meu receio é outro:
–O que as pessoas irão fazer com o tempo a mais de vida que podem ganhar?
Viver mais para quê?
O tempo tem passado neste planeta e muito temos evoluído em termos de conhecimento e tecnologia, mas muito pouco ou quase nada em ética e valores, aquilo que nos torna pessoas verdadeiramente melhores.
Já pensou se eu contribuo para um paciente viver mais e a única vantagem que ele vê nessa longevidade é usar os novos anos para acumular mais dinheiro e bens, como imóveis e propriedades de um modo geral?
Para mim, seria uma grande frustração!
Não trabalho apenas para que as pessoas tenham saúde física, mas para que sua saúde física reverbere na sua qualidade mental e espiritual. E vice-versa!
Estamos aqui para evoluir, senhoras e senhores!
E não para sucumbir ao sonho americano de nos tornarmos todos milionários. O mundo não comporta uma mansão para cada um, uma casa na praia para cada habitante do planeta, bem como helicópteros exclusivos, jatinhos particulares e ostentações sem fim. Nossa sociedade pede socorro há um bom tempo.
Depende de nós nos prepararmos para o futuro, quando a Inteligência Artificial irá tomar muitos dos empregos alheios, ao mesmo tempo que trará mais saúde, conhecimento, praticidade e conforto em vários outros sentidos.
Como iremos lidar com um futuro que ainda desconhecemos?
Iremos desejar viver mais nesse próximo tempo que parece tão incerto?
Como seres humanos, tememos a morte de forma instintiva e, se temos fé, acreditamos que todo minuto nesta Terra é uma lição que nos molda a caminho daquilo que devemos nos tornar.
Portanto, ainda que haja dúvidas ou receios, a maioria de nós sempre terá a vontade de viver mais. Não se trata somente de nós mesmos, mas da convivência com nossos amigos, amores e familiares, com a possibilidade viva de finalmente vermos nossos bisnetos crescerem, com a mesma naturalidade com que já acompanhamos o desenvolvimento de nossos netos.
Isso é vida de qualidade, que vale a pena aumentar em tantos anos: a vida com amor, fé e a evolução de si mesma!
Se vamos viver mais, precisamos viver melhor
As células-tronco estão cada vez mais ao alcance de nossas mãos, justamente para que possamos buscar o melhor de nós mesmos em meio a tanta evolução.
Também não faz sentido um mundo que toma remédios em excesso, sem revisar o que de fato precisa. Reduzir o excesso de medicação é possível em muitos casos, mas sempre com acompanhamento médico: nenhum remédio deve ser interrompido por conta própria.
As células-tronco são estudadas em várias doenças, de lesões ortopédicas a doenças neurodegenerativas, com resultados ainda em avaliação. Em condições como Alzheimer, Parkinson, autismo e cardiopatias, o uso ainda é experimental, e o tratamento convencional continua sendo o padrão. Elas também são usadas em tratamentos de estética regenerativa, como a regeneração do rosto, do colo, do pescoço e das mãos, na regeneração íntima, na retonificação peniana e no cuidado com a queda de cabelo.
Se vamos viver mais, precisamos viver melhor!
Por dentro e por fora!
Para mim, não se justificaria aumentar a longevidade dos meus pacientes para que eles vivam como pessoas velhas e cansadas ou, ainda por cima, mesquinhas. Pelo contrário: acompanho muitos pacientes que recuperaram disposição e ânimo e que voltaram a se sentir vivos. E se sentem gratos por isso!
Em alguns pacientes, já depois da primeira aplicação endovenosa de células-tronco, observamos melhora de disposição: eles voltam a caminhar e a se exercitar, passam a fazer atividades que nunca fizeram antes, voltam a se relacionar, a namorar e a se cuidar. Os resultados variam de pessoa para pessoa, e cada caso é avaliado na consulta.
É como ter uma segunda chance de vida, só que agora com a melhor maturidade que se tem, seja aos 30, 50, 70 ou 80 anos. Nunca é cedo nem tarde para começar a se cuidar e trabalhar numa longevidade de qualidade.
Ladeira acima
Certa vez, um paciente me questionou:
–Mas para que eu vou investir em células-tronco, se já estou no final da vida?
–Para brincar com seus netos.
Ele fica olhando para o chão.
Suspira e desabafa:
–Eu nunca brinco com eles, estou sempre cansado...
–Vamos cuidar para que o senhor tenha mais energia, seu Antônio.
–Será mesmo, Doutor?
Ele dá de ombros:
–Ué, na minha idade, agora é só ladeira abaixo.
Eu rio e discordo:
–Pois vamos trabalhar para o senhor descobrir que ladeira acima também existe, meu caro!
Algumas semanas após sua primeira aplicação, ele me mandou uma foto. Estava na praia com seus dois netos pequenos, fazendo um castelo de areia, e escreveu:
–Agora eu entendi, Doutor Tércio! Estou vivo outra vez!
Eu apenas suspirei e agradeci a Deus:
–Obrigado, Senhor!
“É para isso que se vive, é para isso que devemos viver: para aprender a amar!”
Os nomes e alguns detalhes foram alterados para preservar a identidade dos pacientes. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Sobre o autor
Dr. Tércio Rocha
Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974
Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.
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