Quantos anos você tem?
Irritação, isolamento e falta de ânimo nem sempre são só a idade. Conto a história de um paciente e falo de idade biológica, hábitos e cuidado.

–Sai daqui agora, me deixa em paz!
Eu dou um soco na mesa. Sinto meu coração batendo de forma que parece que vai explodir, levanto e caminho de um lado para outro, com vontade de esmurrar a parede.
Tento contar até dez, mas leva muito mais do que isso até que eu consiga me acalmar.
Depois de vários minutos, minha respiração volta finalmente ao normal, e eu concluo o que no fundo já sabia:
–Por que raios você explode com tanta facilidade?
“Nem era motivo para tanto, meu Deus!”
Sinto-me envergonhado ao perceber o quanto me tornei ranzinza e agressivo.
Balanço a cabeça para os lados:
–Mas eu não era assim, eu não fui sempre assim.
Reflito sobre em que momento eu comecei a me transformar nisso que sou agora. Considero o fator da idade e todos os problemas da vida, mas ainda assim acredito que isso não justifica ter chegado a este ponto a que cheguei.
“Quantos anos eu tenho, meu Deus? Não é possível!”
Decido seguir o conselho do meu filho.
Consigo ouvir sua voz, como se estivesse aqui.
“Pai, vai se cuidar com a medicina regenerativa. Você não precisa se entregar à ideia de envelhecer, pode viver muito bem ainda, se cuidar da sua saúde.”
A consulta
E foi assim que eu acabei chegando até o Dr. Tércio Rocha:
–Eu não me aguento mais, doutor.
Ele ri e questiona:
–Como assim o senhor não se aguenta?
Balanço a cabeça e sou honesto:
–Eu não tenho humor para nada, brigo por qualquer coisa e cheguei à conclusão de que entrei num processo de isolamento, porque eu não aguento ninguém perto de mim. Qualquer coisa me irrita.
O médico sorri, com as mãos na cintura, e depois põe a mão no meu ombro, olhando fundo em meus olhos:
–Vamos investigar o que está por trás disso e cuidar do senhor. Muita gente melhora bastante.
Sinto o ar sair dos meus pulmões de uma vez, como se sua fala tivesse tirado uma tonelada dos meus ombros, da minha vida.
Afinal, havia esperança para mim.
“Obrigado, meu Deus. Obrigado!”
Mas eu agradeço a ele:
–Obrigado, doutor. Por favor, me ajude.
Ele me explica que, antes de qualquer procedimento, vamos fazer exames e uma avaliação completa: hormônios, sono, alimentação, humor, os remédios que eu já tomo.
–Irritação e isolamento podem ter muitas causas, seu Paulo, inclusive uma depressão. Vamos cuidar do seu corpo e do seu humor e, se for preciso, com apoio de outros especialistas.
–E as tais células-tronco, doutor?
–Se, depois dos exames, elas fizerem sentido para o senhor, podem ajudar na disposição, no sono e na recuperação muscular, junto com os novos hábitos. Os resultados variam de pessoa para pessoa.
–Só isso? – questiono, querendo ouvir mais.
E ele prossegue:
–Quem recupera a disposição costuma voltar a fazer o que gosta: dormir melhor, praticar esportes, namorar...
Ele me olha de canto, como se estivesse me testando:
–Namorar, doutor?
–Lógico. Tem coisa melhor nessa vida do que namorar, seu Paulo?
Fico pensativo.
“Mas eu já tenho mais de sessenta anos.”
Ele parece ler meus pensamentos:
–Não é só uma questão de idade, mas de como a gente se cuida. Com o tempo, e sempre com acompanhamento, talvez dê para reduzir alguns dos seus remédios. Mas nada de parar nenhum por conta própria, combinado?
Ele estica a mão para mim:
–Daqui a alguns meses a gente conversa de novo e vê como o senhor está.
Ele aperta forte a minha mão, e eu me sinto mais confiante do que nunca.
Os meses seguintes
Os exames vieram, fiz o tratamento indicado e, devido à confiança e à segurança que senti, segui todas as orientações, que incluíam suplementos prescritos, academia, alimentação melhor e, por fim, parar com o cigarro.
Não posso negar que a mudança foi grande e devo dizer que curti demais o processo: num dia, levantei me sentindo mais disposto; noutro dia, percebi que queria caminhar. No outro, comecei a correr, ainda que pouco, e eu jamais imaginei que poderia correr outra vez. E, sim, também voltei a me relacionar com vontade, agora com a maturidade que tenho. Foi um ótimo momento da minha vida afetiva e, com isso, da minha vida.
Eu agradeci profundamente ao meu filho, que tanto me motivou a procurar a medicina regenerativa. É incrível que os jovens tenham essa visão mais moderna sobre os cuidados com a saúde e, felizmente, eu acabei seguindo sua sugestão.
Minha nova namorada e futura esposa também passou a cuidar mais da saúde, e eu não penso em parar de me cuidar.
Idade biológica
A pergunta do título não é só sobre a data da sua certidão de nascimento. Existe a idade cronológica, a que aparece no documento, e existe a idade biológica, que tem a ver com o estado das suas células, dos seus hormônios, do seu sono, dos seus músculos e da sua cabeça.
Duas pessoas com a mesma idade podem estar em momentos muito diferentes. Hábitos como dormir bem, se alimentar melhor, fazer exercício e não fumar pesam muito nessa conta. A medicina regenerativa pode ser mais uma aliada, sempre depois de uma avaliação individual e, como todo procedimento, com riscos e contraindicações que são avaliados caso a caso na consulta.
E vale lembrar: mau humor, irritação e vontade de se isolar nem sempre são só a idade. Merecem ser investigados.
Então, quantos anos você tem?
Os nomes e alguns detalhes foram alterados para preservar a identidade dos pacientes. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Sobre o autor
Dr. Tércio Rocha
Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974
Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.
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