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Dr. Tércio Rocha
Medicina com foco em longevidade4 min de leitura

Sarcopenia e as células-tronco

Sarcopenia é a perda de força e massa muscular que muitos confundem com velhice. Conto o caso de um pai de 64 anos e explico o diagnóstico e os cuidados.

Sarcopenia e as células-tronco
Escrito pelo Dr. Tércio Rocha, 34 anos de prática clínica

Eu não suportava mais ver meu pai naquele estado: parecia que ele estava definhando a cada dia.

“A olhos vistos!”

Levei-o a vários médicos e demorei para descobrir o que estava acontecendo. A sarcopenia ainda é pouco lembrada e muitas vezes passa por coisa da idade.

–É a idade, é normal – alguns diziam.

Porém, eu sempre vi meu pai forte, ativo, cheio de vida.

Claro que eu sei que o envelhecimento diminui tudo isso, mas tinha algo errado, e, infelizmente, nós demoramos muito para entender o que era. Mas ainda a tempo.

Suspiro.

“Graças a Deus!”

O diagnóstico

O médico explicou:

–A chamada “sarcopenia” é uma alteração da musculatura que reduz a força e a massa muscular, comprometendo o desempenho físico. Embora seja frequente, é pouco diagnosticada, porque não existe um exame de sangue que a detecte. O diagnóstico usa questionário, testes de força e exames que medem a massa muscular, como a densitometria.

–Mas como o senhor sabe então, doutor?

Ele falou das perguntas relacionadas ao diagnóstico, que é feito a partir de uma sequência sugerida pelo consenso europeu, o European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP), no qual a força muscular é o componente principal do quadro.

“É claro que meu pai não passou no teste!”

De acordo com o resultado do questionário, segue-se para a avaliação de força, com testes como o de levantar da cadeira ou o de preensão palmar.

“Pobre do meu pai, mal conseguia se sentar sozinho.”

Diante de queixas de quedas, fraqueza, lentidão, redução da massa muscular e problemas para realizar atividades básicas, fica evidente a necessidade de avaliação direta da sarcopenia, sem precisar do questionário. Após o resultado, o paciente é classificado em um destes grupos: provável sarcopenia, sarcopenia ou sarcopenia grave.

Meu pai estava com sarcopenia!

Normalmente, recomenda-se a avaliação da doença a partir dos sessenta anos de idade no Brasil, mas ela pode acontecer em outras faixas etárias. Meu pai estava com sessenta e quatro.

No dia em que finalmente foi diagnosticado, o médico fez várias perguntas sobre dificuldades para carregar um objeto simples, caminhar pequenas distâncias, como do quarto até o banheiro, levantar sem apoio ou subir degraus. Ele explicou que essas alterações se manifestam gradativamente, mas passam despercebidas pelo paciente e pelos familiares, que sempre as associam a um fator natural do envelhecimento ou da idade.

Só que a sarcopenia está relacionada a vários problemas, que vão desde quedas e fraturas até o comprometimento cognitivo, com diminuição da memória e depressão, além da dificuldade com as atividades do cotidiano.

“Coitado do meu pai. Como sofreu!”

O tratamento

A sarcopenia começa antes do envelhecimento. A prática de atividade física, principalmente a musculação, e uma boa alimentação, com proteína suficiente, são o que ajuda a prevenir a doença, e também são a base do tratamento.

“Meu pai não era adepto dos esportes, mas era ativo em casa!” E meu pai já estava num estado complicado, porque não tinha disposição para fazer exercícios físicos nem se alimentava direito. Tinha entrado num quadro de depressão, em grande parte devido a tudo isso.

–Pai, vamos, pai! Vamos caminhar até a cozinha pelo menos!

–Não, filho.

Como não há um remédio específico para a doença, e meu pai não conseguia nem começar os exercícios, eu logo tratei de buscar outras opções que pudessem ajudar.

“O que eu faço, meu Deus?”

Não podia ficar vendo-o definhar ainda mais.

Nem que eu tivesse que arrastá-lo para uma academia, eu estava disposto a tirá-lo daquela situação.

Até que eu descobri os tratamentos com células-tronco.

Eu não sabia que a medicina regenerativa estudava a sarcopenia.

“Por que eu nunca tinha ouvido falar disso?”

Não foquei nisso. Levei meu pai à primeira consulta que consegui agendar e cheguei até o Dr. Tércio Rocha.

Ele foi muito contagiante e confiante:

–Vamos avaliar o seu pai com calma e montar um plano, com exercício, alimentação e, se for o caso, células-tronco.

“Será?”

Ele falava com tanta convicção que eu decidi me abrir para isso. Se estava disposto a buscar alternativas, tinha que, no mínimo, ter esperança naquilo que havia acabado de encontrar.

–Vai dar tudo certo, pai!

Eu o estimulava ao máximo!

Outra pessoa

Então, ele fez um tratamento endovenoso, junto com a alimentação ajustada e os exercícios que foi conseguindo fazer, e, em poucas semanas, começou a apresentar uma melhora significativa: seu humor mudou a olhos vistos, estava sorrindo e conversando outra vez. Já não caía e dava os seus passos sozinho. Eu não tinha mais medo de que ele caísse.

Com seis meses de tratamento, ele voltou a ser independente. Hoje, caminha na rua de sua casa e faz academia três vezes por semana.

É outra pessoa!

O conjunto do tratamento mudou a vida do meu pai e a minha. O Dr. Tércio sempre lembra que cada paciente responde de um jeito, que as células-tronco na sarcopenia ainda são uma área de estudo e que exercício de força e boa alimentação continuam sendo a base. E que, se a perda de força aparecer, o primeiro passo é procurar uma avaliação, sem achar que é só a idade.

“Graças a Deus eu ainda tenho o meu pai! Obrigado, Senhor!”

Os nomes e alguns detalhes foram alterados para preservar a identidade dos pacientes. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Dr. Tércio Rocha

Sobre o autor

Dr. Tércio Rocha

Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974

Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.

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