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Dr. Tércio Rocha
Medicina com foco em regeneração6 min de leitura

Adinamia e as células-tronco

Adinamia é a fraqueza e o cansaço que não passam. Conto a história de uma paciente de 39 anos e explico as causas, os exames e os cuidados possíveis.

Adinamia e as células-tronco
Escrito pelo Dr. Tércio Rocha, 34 anos de prática clínica

–Eu estou fraca, mãe, não aguento mais.

–Calma, filha.

Eu tinha apenas trinta e nove anos, mas achava que estava no fim da minha jornada no planeta.

"O que está acontecendo comigo?"

Eu achava que tinha uma doença grave.

"Só pode ser!"

Um câncer que ainda não tinha sido descoberto, ou uma depressão que estava me deixando confusa para ver a situação com clareza.

Eu fiquei cega no meu sofrimento.

Uma palavra esquisita

Até que ouvi um termo bastante esquisito:

–Sua filha tem adinamia, dona Laila.

–Adinamia, doutor? O que é isso?

Olhei para minha mãe e já senti pena, aguardando a explicação de algo fatal. Mas não foi o que eu ouvi:

–Adinamia é essa sensação de fraqueza que sua filha está sentindo. Essa falta de energia e o cansaço extremo acontecem com muitas pessoas em algum momento da vida.

"Adinamia?"

Fiquei absorta ouvindo aquela palavra como um eco dentro da minha cabeça.

"Será que estou ouvindo direito?"

O médico continuou:

–Esses sintomas podem ser causados por uma série de fatores: estresse, falta de sono, má alimentação, doenças crônicas ou até mesmo condições médicas mais graves, mas, pelo que vi até agora, esse não parece ser o caso.

Minha mãe olha para mim várias vezes e fica intercalando o olhar entre mim e o médico, até que ela pergunta:

–E o que tem que fazer, doutor?

–Estilo de vida!

"Oi?"

Até a minha mãe ficou boquiaberta olhando para ele.

–Como assim, doutor?

–O tratamento da adinamia envolve prática regular de exercícios físicos, alimentação balanceada e controle do estresse. Em casos graves, é necessário o acompanhamento médico, mas isso a senhora já está fazendo pela sua filha.

Minha mãe me olha e depois fala para ele:

–Eu não sei como fazê-la praticar exercícios e comer direito, doutor. Ela é totalmente sedentária. Sempre foi.

"Ai, socorro!"

O médico acrescenta:

–Outra coisa pode ser a falta de nutrientes essenciais, como vitaminas e minerais. Vamos fazer um check-up!

"Check-up?!"

Eu estava tão apática que tudo que ouvia ficava como um eco dentro da minha cabeça, e eu não tinha certeza se estava entendendo as coisas naquele momento. Levou um tempo para eu processar e ter certeza.

O check-up

Ele ainda ressaltou para minha mãe:

–Vamos fazer o check-up total, porque doenças como diabetes, hipotireoidismo e anemia também podem gerar a adinamia. O descontrole da glicose, a baixa produção de hormônios e a deficiência de ferro são fatores que impactam diretamente na energia e na disposição da pessoa.

–Nós vamos fazer tudo certinho, doutor!

Minha mãe aponta o dedo para mim, me delatando:

–Mas ela é sedentária mesmo, viu? Não sei como mudar o estilo de vida por ela.

O médico cruza os braços e olha feio para mim:

–Vai depender dela querer ficar boa ou não, mãe!

"Mãe? Mas a mãe é minha!"

Eu estava tão cansada e fraca que qualquer coisa me confundia.

O médico continua conversando com ela:

–A falta de atividade física, o excesso de preocupações e a privação de sono acabam numa sensação constante de cansaço e fraqueza.

"Ai, meu Deus. Quero dormir!"

Cutuco o ombro da minha mãe:

–Podemos ir embora agora?

O médico chama a atenção dela novamente:

–Tem que estar atenta, mãe! Porque a adinamia também pode ter causa psiquiátrica.

–Como assim?

–Ela pode vir de quadros como depressão e ansiedade, e até mesmo do uso de certos medicamentos. Sabe se ela usou algum medicamento específico nos últimos meses?

–Não, ela não usou nada, não. Eu saberia.

–Bom, com o tratamento adequado, é possível melhorar a qualidade de vida e recuperar a energia dela. Vamos investigar com calma.

–E se for psiquiátrica, como o senhor falou?

–Daí, um psiquiatra deve ser consultado, e ele vai avaliar se é o caso de usar um antidepressivo. Se a causa for uma infecção, ela precisa ser tratada, muitas vezes com antibiótico, e assim a energia volta. Mas vamos seguir com os exames e com o estilo de vida primeiro.

Uma nova tentativa

O tempo passou, e eu mal me lembro daquele dia, porque estava debilitada em todos os sentidos possíveis.

Fiz os exames que o médico pediu, e quando a tristeza apertou, minha mãe me levou também a uma psiquiatra. Eu não larguei esse acompanhamento.

Eu melhorei um pouco com a atividade física e a melhora da alimentação, mas quem disse que minha mãe desistia? Outro dia chegou com uma novidade:

–Filha, ouvi falar de um tratamento diferente. Vamos conversar com esse médico?

–Outro médico, mãe?

–Mas esse é de medicina regenerativa, filha: células-tronco!

"Células-tronco?"

Ela estava tão animada que eu simplesmente fui. Ele olhou todos os meus exames, conversou comigo sobre o que já tinha sido descartado e me explicou que o uso das células-tronco num caso como o meu é individual e ainda está em estudo. Eu aceitei o tratamento endovenoso, mas sem muita esperança.

Só que, aos poucos, eu fui melhorando. Minha apatia foi diminuindo, bem como o cansaço, e eu recuperei meu foco e minha clareza mental.

Em alguns meses, eu me senti viva! Feliz, cheia de energia e, assim, pude fazer mais exercícios físicos e tive vontade de cuidar melhor de mim mesma, algo que, antes, era a minha mãe quem fazia.

Com o tempo, eu saí do círculo vicioso em que estava, que ia da depressão à vontade de morrer, e entrei num círculo virtuoso, em que eu simplesmente renasci, pois me tornei outra pessoa.

–Obrigada, mãe!

Eu não tenho palavras para agradecer o que ela, os médicos que cuidaram de mim e as Partículas Divinas, como ele as chama, fizeram por mim.

O que eu digo a quem sente essa fraqueza

Essa história é de uma paciente, contada na voz dela. Eu a escolhi porque mostra o caminho certo: primeiro, investigar a causa. Cansaço e fraqueza que não passam merecem consulta e exames, porque podem ter por trás anemia, alterações da tireoide, diabetes, depressão, falta de sono ou efeito de algum remédio, e cada uma dessas causas tem o seu tratamento.

As células-tronco podem fazer parte do cuidado em alguns casos, sempre depois dessa investigação e junto com o acompanhamento dos outros especialistas, nunca no lugar deles. Nenhum tratamento deve ser interrompido por conta própria. E, como todo procedimento, este tem riscos e contraindicações, que são avaliados caso a caso na consulta.

Se você está passando por sofrimento emocional ou pensa em tirar a própria vida, procure ajuda: o CVV atende 24 horas pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.

Os nomes e alguns detalhes foram alterados para preservar a identidade dos pacientes. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Dr. Tércio Rocha

Sobre o autor

Dr. Tércio Rocha

Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974

Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.

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