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Dr. Tércio Rocha
Medicina com foco em regeneração4 min de leitura

Alzheimer e as células-tronco

O Alzheimer assusta quem envelhece e quem cuida. Explico como a doença avança, conto um caso que me marcou e o que a pesquisa com células-tronco estuda.

Alzheimer e as células-tronco
Escrito pelo Dr. Tércio Rocha, 34 anos de prática clínica

Como a doença avança

O mal de Alzheimer é uma das doenças mais temidas pelas pessoas que estão avançando em suas jornadas, já que a prevalência pode chegar a trinta por cento da população acima dos oitenta e cinco anos, e a cura ainda não foi encontrada.

Em vez de as pessoas aproveitarem a terceira idade e celebrarem por estarem alcançando o privilégio de uma vida longa, elas sofrem pelo medo do que podem vivenciar.

Quem é que nunca se imaginou esquecendo-se de toda a sua vida aos poucos e dando trabalho aos seus entes queridos?

Perder a memória é, sim, algo aterrorizante. Esta perda acontece gradativamente, muitas vezes com o paciente ciente, no início, de que algo está mudando no seu cérebro. É terrível. O tratamento com o neurologista ou o geriatra ajuda a controlar os sintomas por um tempo, mas o paciente e a família convivem com a incerteza de como o processo vai se desenrolar.

Quem é acometido(a) pelo Alzheimer começa a ter pequenos esquecimentos, fica confuso(a) e segue num declínio em diferentes fases, até se esquecer de quem é. O conhecimento adquirido ao longo da vida é esquecido, bem como as próprias histórias e as pessoas que ama. A sobrevida após o diagnóstico varia muito: em média, fica entre quatro e oito anos, mas pode passar de vinte.

Num estágio mais avançado, o paciente com Alzheimer pode ficar agressivo, porque se incomoda com seu próprio esquecimento, sente medo, se sente acuado, fica bravo com as pessoas ao seu redor, não compreende mais o que está acontecendo e quem é quem, até chegar ao último estágio, quando fica prostrado numa cama, sem fala, com dores e num vazio de memórias. É difícil para todos os envolvidos.

Um caso que me marcou

Acompanhei uma paciente de mais de noventa anos com Alzheimer avançado, que já não reconhecia o filho ou qualquer pessoa da família. Ela também não saía de casa, embora morasse em frente à praia. O marido desta senhora vivia uma tristeza sem fim por testemunhar a perda de sua esposa todos os dias.

Seu filho se sentia triste e desesperançoso pela situação da mãe. Já fazia dois anos que ele assistia à sua piora lenta, mas a olhos vistos.

Então, ele recorreu ao tratamento com células-tronco, e, seis meses depois, a família notou uma melhora que não esperava. Aquela senhora, que havia esquecido quase tudo de sua própria vida, um dia olhou para o filho e o chamou pelo nome.

O filho quase deu um pulo de tanta alegria, mas não foi só isso:

–Eu quero ir à praia – ela disse.

Seu desejo foi mais do que uma ordem, foi como uma volta à vida.

Todos ficaram de olhos arregalados, sem saber o que fazer, nem como reagir.

O filho chorou e logo a obedeceu:

–Vamos para a praia, mãe!

Lentamente, eles conseguiram atravessar a rua para alcançar o pé na areia, onde a senhorinha, toda feliz, expressou um desejo:

–Eu quero comprar um chapéu!

E ela escolheu um chapéu e ainda deu palpites ao vendedor sobre como deixar seus outros produtos mais bonitos.

O que a ciência estuda e o que fazer desde já

Sabemos que essa doença ainda não tem cura. Esse caso, ainda que isolado, mostra por que as pesquisas com células-tronco no Alzheimer merecem atenção. Os estudos ainda estão em fase inicial, o tratamento não é indicação estabelecida, e os resultados variam muito de pessoa para pessoa. O acompanhamento com o neurologista ou o geriatra e os remédios prescritos continuam sendo o padrão, e nenhum deles deve ser interrompido por conta própria.

Todos iremos morrer um dia, mas até lá podemos escolher como iremos passar por nossos processos.

Essa paciente não teve apenas um episódio de melhora: por um tempo, ganhou mais qualidade nos seus dias e trouxe alegria a ela mesma e a toda a família.

Qual o significado de ver uma pessoa que você ama se lembrando de quem ela é, após dois anos dentro de um processo de esquecimento?

Mesmo que você ainda seja jovem, já pode olhar para essa informação e perceber a sua devida importância, uma vez que todos seguimos pelo mesmo caminho.

Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Entre o início e o fim, aquilo que fazemos no dia a dia e assumimos como hábito nos permite ter uma vida de qualidade ou não. E o acesso à saúde e à informação depende do quanto você se abre para o conhecimento.

A preocupação com a saúde deve ser algo inerente a você e às decisões que toma no dia a dia sobre a sua alimentação, os exercícios físicos, os remédios, as vitaminas, o abandono de vícios e de alimentos nocivos, bem como se informar sobre tudo aquilo que faz bem, ajuda a envelhecer com saúde e reduz o risco de muitas doenças.

Viver bem é uma escolha!

Os nomes e alguns detalhes foram alterados para preservar a identidade dos pacientes. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Dr. Tércio Rocha

Sobre o autor

Dr. Tércio Rocha

Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974

Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.

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