A nova pressão alta de 12 x 8 e as Células-tronco
A nova diretriz brasileira passou a chamar a pressão de 12 x 8 de pré-hipertensão. Explico o que mudou, os fatores de risco e como cuidar da pressão.

Recentemente, uma notícia médica chegou trazendo alarde à maioria das pessoas no Brasil.
Embora nem todos sofram com pressão alta, este problema se tornou, infelizmente, tão comum que mesmo quem ainda não tem o problema acredita que um dia vai ter. Mas não precisa ser assim. Não deve ser assim!
O ideal é que não se desenvolva pressão arterial alta, mas a genética pesa muito nessa doença, então mesmo uma pessoa absolutamente saudável pode vir a desenvolvê-la.
Além da predisposição genética, entram na conta o uso em excesso de sal, o sedentarismo e a má alimentação, e também o cenário socioeconômico: onde há menos renda e menos acesso à saúde, a pressão alta costuma ser mais comum e menos controlada.
E há o fator idade: no Brasil, mais da metade das pessoas com 60 anos ou mais tem hipertensão. Com a idade avançada e sem tratamento, aumentam as chances de a doença ser fatal.
Resumindo, os fatores de risco são:
- Genética
- Excesso de sal
- Sedentarismo e má alimentação
- Cenário socioeconômico
- Idade
Excesso de peso, álcool e cigarro também pesam nessa conta.
O que mudou com a nova diretriz
Se, até a notícia, a pressão arterial de 12 x 8 era vista como a pressão ideal, a partir de então ela passou a ser chamada de pré-hipertensão, o que deixou muitos em pânico.
Os dados da nova diretriz foram divulgados oficialmente em setembro de 2025, no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia. A diretriz foi elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).
O objetivo dessa reclassificação é focar na prevenção, permitindo que os médicos tenham tempo hábil de convencer seus pacientes a adotar um novo estilo de vida.
Porém, como médico, eu sei bem que este convencimento é uma das partes mais difíceis da medicina, porque eu posso dizer mil vezes a um paciente que ele deve se alimentar de forma saudável e se exercitar todos os dias, mas, assim que ele sai do meu consultório, eu não tenho como ter essa responsabilidade sobre ele.
A saúde e a prevenção estão nas mãos de cada um, e não apenas dos médicos. Porém, a nossa cultura do imediato leva muita gente a querer resolver tudo com um comprimido, sem mudar nada na rotina, mesmo que isso signifique um custo para a sua saúde.
"Até mesmo problemas emocionais e psicológicos viram alvo da ilusão de que uma cartela de remédios, sozinha, resolve a vida."
Por isso, trabalho com medicina regenerativa olhando todas as áreas da vida dos meus pacientes, especialmente a emocional, pois, enquanto o indivíduo não se sente bem consigo mesmo, tende a buscar alívios rápidos e fáceis, que podem ser desde um comprimido até um copo de bebida, drogas, excesso de comida, compras ou sexo por compulsão, dentre outras válvulas de escape, que não resolvem o problema de verdade, apenas mascaram uma realidade que não se quer ver.
Assim como a mudança de estilo de vida ajuda a prevenir a pressão alta e tantas outras doenças, também promove bem-estar, saúde, alegria etc.
Onde entram as células-tronco
Quero deixar uma coisa clara: na pressão alta, os remédios e a mudança de hábitos são o tratamento estabelecido, e é com eles que a pressão se controla hoje. As células-tronco ainda estão em pesquisa para as doenças cardiovasculares.
O que me move na medicina regenerativa é a busca por tratar a causa, e não só o sintoma, e por trazer mais liberdade ao paciente. Como todo procedimento, o tratamento tem riscos e contraindicações, que são avaliados caso a caso na consulta, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
As células agem no corpo como um todo, e muitos pacientes sentem isso também no bem-estar mental e espiritual. Como não somos apenas corpo, a medicina regenerativa olha também para a mente e o espírito do paciente.
Como funciona?
Na aplicação endovenosa, as células-tronco circulam pelo organismo do paciente. Elas têm afinidade por áreas inflamadas e liberam substâncias que modulam a inflamação. É parecido com o que acontece quando você machuca o seu braço e, no dia seguinte, tem uma casquinha no lugar de uma ferida aberta: as células-tronco que você tem no estoque do seu corpo desde que nasceu participam desse trabalho de reparo.
Então, quando você recebe uma aplicação extra dessas células, a ideia é oferecer ao corpo uma dose generosa do melhor material biológico que conhecemos, para apoiar a regeneração dos lugares de que ele precisa: pele, cabelo, musculatura, vasos sanguíneos e órgãos, em nível celular.
Muitos pacientes relatam melhora do sono, do apetite, da disposição física e mental, da memória, do raciocínio e especialmente da energia. Há quem tinha preguiça de ir à academia e passa a frequentar o lugar, volta a caminhar, correr, andar de bicicleta, viajar, sair, namorar. A resposta é individual, mas é bonito de ver.
Parece mágica? Não é. Mas é por isso que chamo as células-tronco de Partículas Divinas: pelo potencial que elas carregam.
No caso da pressão arterial, o que se estuda é a ação das células, nos meses seguintes à aplicação, na reparação do tecido vascular e na redução da inflamação. Em alguns pacientes observamos melhora da circulação e da disposição; a pressão precisa continuar sendo medida e acompanhada, e o remédio continua sendo o tratamento.
As células-tronco mesenquimais alogênicas, advindas de cordão umbilical, são estudadas pela capacidade de estimular a angiogênese, que é a formação de novos vasos, e de modular as respostas imunes e a inflamação dos vasos sanguíneos.
Em casos de insuficiência cardíaca, que pode ser causada por pressão alta, há estudos avaliando se as células-tronco podem melhorar a função e a estrutura do músculo cardíaco. A regeneração do miocárdio é uma das linhas de pesquisa mais ativas da área, mas ainda é pesquisa: o tratamento convencional do coração continua sendo o padrão.
E se a sua pressão está em 12 x 8?
Se você ainda está saudável e se preocupou com a notícia da nova diretriz, o caminho não é o pânico, nem o descaso. Se a sua pressão está em 12 x 8, vale conversar com o seu médico e reforçar os hábitos de prevenção.
Mantenha-se saudável, com boa alimentação e movimento. E meça a sua pressão com regularidade.
Se você já toma remédio de pressão, nunca o suspenda sem orientação médica. Nenhum tratamento deve ser interrompido por conta própria, e o acompanhamento é feito com o médico de cada especialidade, como o cardiologista.
Dor no peito, falta de ar, dor de cabeça muito forte, perda de força ou dificuldade para falar pedem avaliação médica imediata.
E sempre que precisar, seja para a pressão alta ou para qualquer sintoma ou doença, procure uma avaliação e converse com calma sobre todas as possibilidades de cuidado.

Sobre o autor
Dr. Tércio Rocha
Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974
Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.
Conhecer a trajetória



