Metabolômica
A doença começa na célula, anos antes dos sintomas. Entenda o que é a metabolômica, o que o exame avalia e como ele pode apoiar a medicina regenerativa.

A saúde começa pelas nossas células!
O que é a metabolômica
Atualmente, há uma série de exames para avaliar a nossa saúde em nível celular, como o teste de metabolômica, que traz uma visão detalhada da atividade metabólica, isto é, das reações químicas que, dentro das células, transformam alimentos em energia.
A metabolômica vem sendo estudada para o diagnóstico precoce e o prognóstico de doenças, a descoberta de biomarcadores, o ajuste de dietas, a avaliação da segurança e da eficácia de medicamentos, além da personalização de exercícios físicos e da nutrição.
É importante lembrar que ninguém adoece da noite para o dia.
Quando um coração, um rim ou um pulmão entra em falência, esse órgão já se encontra em fase final de deterioração. O adoecimento começou bem antes, a partir do mau funcionamento das células, que costuma levar anos ou décadas para se manifestar.
Por isso, olhar para a função celular, ou função metabólica, é importante para identificar alterações no início, quando o paciente ainda não apresenta sintomas.
Esse tipo de análise pode ajudar a identificar alterações cedo, quando há mais chance de corrigi-las.
A metabolômica e as células-tronco
Um bom exemplo é o de um paciente que vem para o tratamento de uma doença na qual as células-tronco têm resultados iniciais publicados em estudos, como o Alzheimer. Nessa doença, o uso das células-tronco ainda é experimental, e o tratamento convencional continua sendo o padrão.
O processo da doença de Alzheimer é muito amplo, e as células-tronco são estudadas pela sua ação na redução da inflamação, na vascularização e na renovação celular. Mas ainda há detalhes em que não conseguimos atuar: como a célula está produzindo os radicais livres? Ou como está a produção de energia da mitocôndria?
São questões importantes e complexas, em nível subcelular, dentro da célula, onde já pode haver distúrbios de função antes de qualquer sintoma.
É preciso associar tratamentos coadjuvantes para melhorar o funcionamento da célula e, para fazer esse tipo de tratamento, é necessário que o diagnóstico seja preciso. É nesse campo que a metabolômica tem grande relevância, um teste que deve ser cada vez mais usado no país.
Acredito que, em poucos anos, a metabolômica vai se tornar um exame mais comum no cuidado com a saúde, para acompanhar em que ponto podemos atuar para evitar certas doenças. O teste metabólico é oportuno porque mostra como está o metabolismo das células de todo o corpo.
Eu já realizei os testes de metabolômica e de metilação do DNA em mim mesmo para tratar uma disbiose intestinal e, por meio desses testes, tive indicativos que me permitiram corrigir o distúrbio de forma muito mais precisa e objetiva.
O teste de metabolômica é um excelente coadjuvante para os tratamentos com células-tronco, pois pode indicar com precisão onde cada paciente mais precisa se cuidar, para a prevenção e o cuidado com o envelhecimento.
Ele também pode ajudar a potencializar o resultado dos tratamentos com esse material biológico e a buscar mais longevidade e qualidade de vida.

Sobre o autor
Dr. Sang Choon Cha
Médico, doutor em obstetrícia e ginecologia pela USP
Médico formado pela Universidade de São Paulo, com doutorado em obstetrícia e ginecologia pela USP e aperfeiçoamento na Université de Montréal e na McGill University.
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