Células-tronco e Fernanda Venturini
Conto como conheci a Fernanda Venturini, com condromalácia e artrose nos joelhos, e como pensamos juntos, passo a passo, o tratamento com células-tronco.

–Você vai fazer um curso de vôlei, Tércio?
Termino de preencher o papel de inscrição na recepção e respondo:
–Vou!
Entrego o papel para o responsável:
–Obrigado, volto no fim de semana para treinar!
Minha esposa, Martha, e eu seguimos em direção à rua, do lado de fora do condomínio.
Ela não entende nada:
–Mas, amor, você é médico, viaja o tempo todo, não tem tempo para nada…
Tento explicar:
–Eu preciso treinar minha cortada.
Ela põe as mãos na cintura e fica boquiaberta, me olhando:
–Cortada? Mas o que é isso agora?
–Vou ganhar uma aposta!
Ela cai na gargalhada.
"Já me conhece."
Começamos nossa caminhada no calçadão.
–O que foi que você apostou agora? Com quem? Por quê?
Dou uma piscadinha de lado para provocá-la:
–A Fernanda!
Ciumenta que só ela:
–Que Fernanda?
–A Fernanda Venturini.
Ela agora suspira, respirando fundo:
–Você apostou uma partida de vôlei com a Fernanda Venturini?
Rio:
–Apostei!
Olho para o céu, que está lindo!
"Deslumbrante, meu Deus! Obrigado por mais um dia!"
Olho para a Martha e penso:
"Ao lado do meu grande amor!"
Seguro sua mão e seguimos nossa caminhada.
Concluo:
–E vou ganhar!
A Martha não se conforma:
–Tércio, a Fernanda foi eleita pela FIVB uma das quatro melhores jogadoras de vôlei do século XX.
Complemento:
–E não só isso: ela tem 12 títulos nacionais e é bicampeã mundial de clubes, em 91 e 94.
Pela Seleção Brasileira, ganhou a medalha olímpica de bronze em 1996 e foi vice-campeã mundial em 1994. É tricampeã do Grand Prix e, em 1994, foi eleita a melhor levantadora e a melhor jogadora da competição. Foi campeã sul-americana em 91 e 95, vice-campeã da Copa do Mundo em 1995 e 2003, soma 28 premiações individuais e vestiu 352 vezes a camisa da seleção brasileira.
Ela para de andar, indignada:
–E você vai fazer um curso de vôlei de fim de semana, do condomínio, para jogar vôlei com ela?
–Claro que vou!
Ela ri.
Eu ponho as mãos no quadril e questiono:
–Só porque ela é a única brasileira entre as quatro maiores jogadoras do século XX, de acordo com a Federação Internacional de Vôlei, e desde 2022 integra o Hall da Fama da modalidade, eu vou perder?
Minha esposa cai na risada, segurando a barriga:
–Mas é atrevido…
–Eu e as Partículas Divinas! "As Células-tronco são fascinantes!"
Voltamos a caminhar:
–O que as Partículas Divinas têm a ver com você ganhar um jogo de vôlei contra uma jogadora que é multicampeã?
–Tudo, meu amor. Tudo!
Ela balança a cabeça para os lados e seguimos no nosso movimento matinal.
"Obrigado, meu Deus! Esse é um dos melhores momentos do dia para mim!"
Como tudo começou
Essa história aconteceu poucos dias depois de eu conhecer a jogadora.
Eu sabia que se tratava de uma das melhores levantadoras do vôlei feminino do Brasil e do mundo, que estreou com apenas 17 anos de idade nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.
Claro que, conversando com ela na nossa primeira consulta, fui conhecendo mais sobre a sua carreira e pude compreender em mais detalhes a sua jornada como atleta e o seu histórico de saúde:
–Então, você foi uma das líderes da equipe na conquista da medalha de bronze em Atlanta, Fernanda?
–Pois é…
"A pessoa tem tantos títulos e vitórias que, para ela, é normal ser tão vencedora!"
Solto automaticamente:
–Vencedora da vida!
Ela agradece com um gesto e um sorriso.
Continuo:
–E as suas filhas? Vão fazer parte da nossa partida também?
Ela entorta o pescoço e fica me olhando, sem entender:
–Que partida?
–A que eu vou ganhar!
Ela move o rosto para os lados:
–Como assim?
Coloco seus exames sobre a mesa e provoco:
–O que você me disse assim que se sentou nessa cadeira?
Ela fica pensativa, mas logo responde:
–Que estou com um quadro tão ruim que não tenho certeza de que vou ficar 100% outra vez.
Assinto:
–Exato! Ninguém pode te garantir 100%. Mas eu aposto uma partida de vôlei que a gente vai lutar por essa melhora juntos. E, quando você estiver melhor, a gente joga essa partida!
Ela entorta a boca para o lado e fica me olhando, surpresa.
"Acabou de chegar, não me conhece ainda…"
Prossigo:
–E ainda vai escrever essa história num livro!
Ela sorri de orelha a orelha e responde, suspirando:
–É exatamente isso que eu quero, Doutor!
Me aproximo da mesa e dela, esticando a mão:
–Temos uma aposta?
Ela ri:
–Você acha que vai ganhar a partida?
Eu estico a mão, provocando:
–Já ganhei!
Caímos juntos na gargalhada.
Selamos a aposta com um aperto de mão.
A nova paciente
"Imagina, eu ganhar uma partida contra uma campeã que simplesmente começou a jogar aos onze anos de idade e não parou mais?"
A menina foi para o vôlei por causa de uma escoliose, por sugestão de um médico.
Falo comigo mesmo:
–Abençoado o médico que fez essa sugestão!
"Por isso eu trabalho com a Medicina Integrativa e Regenerativa!"
O movimento muda a vida das pessoas, porque dá vida a elas. Os remédios têm a sua hora, mas sozinhos não fazem isso.
Eu sabia que a minha futura oponente já tinha se despedido da seleção uma vez, depois do Campeonato Mundial de 1998, mas sem deixar de jogar pelos clubes.
"Eu vou ganhar o jogo! Eu vou ganhar!"
Falo sozinho:
–Sou uma pessoa otimista! E devoto de Minha Mãe: Nossa Senhora das Graças!
"Que sempre me guia em tudo o que eu faço. Cada passo meu é regido por Ela!"
Depois do vice-campeonato nacional pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, ela ficou dezoito meses sem jogar, período em que deu à luz sua primeira filha. Anos depois, veio a Vitória!
Benditos sejam os nossos filhos, que trazem luz à nossa vida e dão o maior e melhor sentido à nossa existência.
"Será que uma das filhas vai seguir os passos da mãe? Benzadeus! Vai ser invencível!"
Em 2003, ela voltou à seleção. Na volta, conquistou mais uma Superliga e foi eleita a melhor levantadora e a melhor jogadora da competição. Depois, liderou o Brasil na medalha de prata da Copa do Mundo de 2003 e no título do Grand Prix do ano seguinte, de novo como melhor levantadora.
Despediu-se pela segunda vez da seleção depois das Olimpíadas de Atenas. Aposentou-se em 2006, mas em janeiro de 2007 voltou atrás.
"Essa mulher é incansável!"
Foi jogar na Espanha, no Grupo Murcia 2002, um time cheio de estrelas internacionais, e levou a equipe aos dois principais títulos do país: a Copa da Rainha, em que foi eleita a melhor levantadora do torneio, e a Superliga Espanhola.
Dou uma gargalhada alta:
–Meu Deus do céu, e eu chamei esta pessoa para uma batalha nas quadras?
Volto às minhas reflexões sobre a mais nova paciente.
"E que pacientes, Senhoras e Senhores!"
A Senhora Venturini não brilhou só nas quadras. Foi comentarista dos Jogos Olímpicos de 2000 pelo SporTV e, em 2007, comentou as partidas da seleção feminina nos Jogos Pan-Americanos pela TV Record. Também falou dos bastidores da competição e do desempenho das brasileiras para o Portal Terra.
Nos Jogos Olímpicos de 2008, ela voltou a comentar o vôlei feminino no seu blog no Portal Terra.
Em 2011, voltou às quadras pela terceira vez e reforçou a equipe do Unilever na temporada 2011/2012.
Mas quem disse que tudo isso é muito?
Sussurro, falando comigo mesmo:
–Em 2012, Fernanda virou Barbie!
"Imagina, que homenagem absurdamente fantástica!"
Naquela época, os temas sobre as mulheres não estavam tão em alta como hoje. As bonecas ainda eram patricinhas, e a Fernanda ajudou a levar a marca, lá atrás, para algo esportivo, de sonho e vitória.
Bato palmas sozinho:
–E viva a Senhora Venturini!
A Mattel do Brasil fez uma versão olímpica da Barbie inspirada nas feições dela. A boneca é linda como ela e usa o uniforme da seleção brasileira, com o número 14 na camiseta.
"E como se o sucesso já não fosse gigante, Fernanda virou atriz!"
Respiro fundo e suspiro:
–Em 2014, ela atuou na novela Chiquititas, fazendo ela mesma, como professora de vôlei da escola onde as chiquititas treinavam.
Solto e rio:
–Assim como eu!
"Qual o problema de fazer um curso no condomínio?"
Eu vou ganhar!
"Já ganhei!"
Pouco antes de me procurar, a Fernanda se dedicava ao ciclismo e ao beach tennis, mas, por causa dos problemas de saúde, teve de parar com tudo.
"Imagina?"
Em 2022, ela passou a integrar o Hall da Fama Internacional do Vôlei, mas estava se sentindo mal com a sua performance atual.
"Ou com a total falta dela."
O problema
Quando ela chegou até mim, tinha três queixas:
–Eu não sei o que fazer, Doutor Tércio. Estou com condromalácia e com artrose nos joelhos, e com problema na cervical.
"A condromalácia patelar e a artrose são terríveis."
A condromalácia é o desgaste da cartilagem da patela, ou rótula, o osso que fica na frente do joelho. A artrose só acelera e piora tudo isso. São problemas que eu vejo muito no consultório, em atletas e em quem não é atleta, e que fazem parte das lesões ortopédicas que acompanho.
Questiono-a:
–Entendo. E o que você já fez para tratar esses problemas?
Ela disfarça algumas lágrimas nos olhos:
–Por causa da dor e da inflamação, a primeira coisa que fiz foi parar toda atividade física.
Olho sério para ela:
–Deve ter sido difícil para você.
Ela respira fundo e solta:
–Muito.
Sigo na anamnese:
–Mas o que mais?
–Usei gelo, analgésicos, anti-inflamatórios e fiz fisioterapia, para fortalecer o quadríceps e melhorar a estabilidade do joelho.
Ouço sua explicação, enquanto reflito sobre a condromalácia.
"A parte do tratamento não é realmente fácil, ainda mais para alguém que se exercitou a vida inteira."
A fisioterapia e tudo o que ela fez funcionam como uma espécie de proteção da cartilagem e podem impedir ou retardar a progressão da doença, assim como o uso de joelheira, que ajuda no encaixe da rótula sobre o fêmur, melhora a distribuição de carga na região e, com isso, reduz a dor.
"Mas, em muitos casos, não é o suficiente!"
Volto à nossa conversa:
–Quanto tempo você fez de tratamento, Fernanda?
–Já perdi a conta, muitos meses…
Ela abaixa a cabeça, visivelmente chateada.
Compreendo-a profundamente:
–Está cansada, né?
Ela sussurra:
–Muito. Eu vivi a minha vida me movimentando e agora não posso mais, tudo dói…
Falo calmamente:
–Vamos ver o que as Partículas Divinas podem fazer no seu caso. Muitos pacientes melhoram bastante, mas cada corpo responde de um jeito.
Ela levanta a cabeça e fica totalmente ereta, como se tivesse renascido das cinzas:
–Sério, Tércio?
Assinto:
–Seríssimo. Eu quero usar com você a técnica que eu chamo de sanduíche.
Ela se remexe na cadeira:
–Técnica de sanduíche?
–Sim. É o jeito como eu organizo os protocolos biológicos com Células-tronco: uma aplicação local (no seu caso, nos joelhos) e outra endovenosa. Estudos sugerem que essas células ajudam a modular a inflamação no corpo como um todo, mas essa ainda é uma área em pesquisa.
Ela parece deslumbrada:
–Caramba.
Concordo:
–É isso mesmo. A ideia é cuidar do joelho e, ao mesmo tempo, do corpo inteiro.
–Uau.
Me empolgo:
–Não é lindo? É fascinante…
"Por isso eu as chamo de Partículas Divinas!"
Respiro fundo, agradecendo internamente por esse momento.
Ela me pergunta:
–E quanto tempo leva?
Não resisto a mais uma provocação:
–Quanto tempo faz que você está se tratando desses problemas?
–Muito tempo, meses… mais de um ano.
–E melhorou?
Vejo seus ombros caírem:
–Não!
–Pois então! Com a aplicação de Células-tronco nos joelhos, alguns pacientes já percebem alívio nas primeiras semanas. O objetivo é reduzir a dor e a inflamação e ajudar a articulação a funcionar melhor. A resposta varia de pessoa para pessoa.
Ela se ajeita na ponta da cadeira:
–Eu vou ter cartilagem nova?
Me ajeito também:
–Essa é a esperança da medicina regenerativa, e é o que a ciência estuda. Não dá para te prometer cartilagem nova. Dá para buscar um joelho que funcione melhor e doa menos. As Células-tronco mesenquimais, que vêm do cordão umbilical, têm muita força para isso.
"É divino!"
–O que isso significa?
–Que a idade delas é praticamente zero. São células novas, com grande capacidade de estimular o reparo, e por isso eu gosto de aplicá-las bem no local da lesão.
Ela volta a se mexer na cadeira:
–Mas quanto tempo leva para ver o resultado completo?
–Costumo reavaliar ao longo de seis meses, considerando o tratamento endovenoso, que atua em conjunto com a aplicação local. O tempo de resposta varia de pessoa para pessoa, Fernanda.
Ela chora.
"Vamos descontrair…"
–Fique tranquila, eu não vou tirar sarro de você quando eu ganhar a partida de vôlei, nem vou para a imprensa contar para todo mundo.
Ela ri e chora ao mesmo tempo:
–Eu quero fazer esse tratamento agora!
Neste instante, sou eu que rio:
–Calma! Primeiro, vamos fechar a sua avaliação e os seus exames. Como todo procedimento, este tem riscos e contraindicações, que eu avalio caso a caso. Só depois disso preparamos as Células-tronco com o laboratório e marcamos a aplicação.
Não consigo deixar meu bom humor de lado:
–E, quando dá para evitar ou adiar uma cirurgia, vale estudar as alternativas com calma. Se um dia a cirurgia for o melhor caminho para você, ela continua sendo uma boa opção, e a gente conversa com o seu ortopedista.
–Eu vou sair andando daqui?
Rio:
–Andando você já entrou! Vai sair com um plano.
Vejo luz em seus olhos.
Reforço:
–Eu sei, minha cara campeã. Pode ser a luz no fim do túnel que você buscava.
Ela está emocionada:
–Nem tenho palavras para agradecer.
Aponto o dedo para cima:
–Agradeça a Ele: Deus e Nossa Senhora é que me usam nesta vida como ferramenta para mudar a Medicina e a forma como as pessoas cuidam da saúde no mundo inteiro.
–Uau!
Balanço a cabeça para cima e para baixo:
–A Medicina Regenerativa é uma das áreas mais avançadas da saúde hoje, e trabalha com material biológico. Mas, como todo tratamento, não serve para todo mundo: tem indicação certa, tem riscos e contraindicações, e cada caso é avaliado na consulta.
Ela fica boquiaberta:
–Mas por que as pessoas ainda não sabem de tudo isso?
Entorto a boca para o lado:
–Porque é uma ciência nova…
–Como assim?
–Muita coisa ainda está em estudo, e os resultados precisam ser confirmados em pesquisas com muitos pacientes. Enquanto isso, o médico tem de ser honesto sobre o que já se sabe e o que ainda não se sabe.
Ela sussurra:
–Ca… ra… caaaa.
–Pois é…
Me levanto e sigo com ela para outra sala:
–Vem, vamos marcar os seus exames e o próximo passo com as Partículas Divinas…
E continuamos conversando:
–Bem-vinda a essa nova fase do seu cuidado. Você nunca mais vai tratar do seu corpo como antes.
–Mas eu já estou em grau 4, Doutor, de condromalácia e artrose…
Rio:
–Eu sei. Não vou te prometer o impossível. Mas eu já disse que vou ganhar a aposta, né? A gente vai lutar junto.
A partida
Tiro o tênis e sinto a areia quente e fofa debaixo dos meus pés.
"Ah, o meu Rio de Janeiro!"
Falo alto:
–Obrigado, meu Deus, por esse mar, essa brisa, esse sol!
Olho para a Martha, o meu amor, tomando sol:
–Ah, meu Deus do céu…
Volto aos meus pensamentos.
Nos meses seguintes àquele dia, a Fernanda voltou a se movimentar com muito menos dor, e ficou encantada com o nosso processo.
Dou uns pulos na areia para aquecer.
Suspiro:
–A Fernanda simplesmente voltou a ser Fernanda!
"É isso que eu busco com as Partículas Divinas!"
Renovar, regenerar, restaurar, trazer vida! E vida em abundância!
Estico os braços para cima, me alongando:
–Lá vem ela!
Ela chega:
–Bom dia, Tércio!
–Bom dia!
Vou para um lado da quadra de areia, e ela se coloca do outro lado da rede:
–Pronta para pagar a aposta e perder um jogo, Senhora Venturini?
Ela ri e se posiciona também:
–Você sabe que eu sou campeã, né?
Rio:
–E você sabe que eu sou uma ferramenta divina, não sabe?
Dou um belo de um saque!
"Obrigado, meu Deus, por mais essa vitória!"
Os resultados variam de pessoa para pessoa e cada caso precisa de avaliação individual.

Sobre o autor
Dr. Tércio Rocha
Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974
Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.
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