Desgaste de acetábulo e células-tronco
Conto a história da Mariana, atleta de 30 anos com desgaste no acetábulo, e como as células-tronco entraram, com cautela, no cuidado do quadril dela.

O diagnóstico
–Você está com desgaste de acetábulo, Mariana!
–O quê?
O médico explica melhor:
–Desgaste no quadril.
“Caramba, não tinha um nome mais fácil?”
Ele continua explicando:
–O desgaste do quadril, ou a famosa artrose no quadril, é um problema bem frequente e limitante.
–E eu não sei, doutor?
Rio.
“De nervoso!”
Ele sorri, e eu me calo para não ser mal-educada.
Então, ele continua:
–Isso nada mais é do que o envelhecimento da cartilagem, responsável pela movimentação livre e sem dor. Quando ela se desgasta, a articulação não funciona mais com liberdade e nem suporta peso, causando dor e restrição de movimento.
–E o que eu faço? Eu só tenho trinta anos.
Ele balança a cabeça para os lados:
–Pois é. O normal é acometer pessoas acima dos quarenta e cinco, mas, como você é atleta, usou mais a sua cartilagem, entende?
Resmungo:
–Então, isso é comum para quem faz esportes?
–Sim, Mariana! E você tem os sintomas típicos desse tipo de artrose: dor na virilha, quadril duro, menos mobilidade e dor para levantar do vaso sanitário, para se agachar e para calçar o sapato.
Sussurro:
–Sim, é verdade.
Ele segue:
–Por mais que seja uma atividade simples, colocar um tênis já fica difícil para quem tem esse tipo de artrose. Além disso, algo que você ainda não relatou, mas deve acontecer: dor para subir e descer escadas e para entrar e sair do carro.
–Nem me fale.
“Sinto vontade de chorar ao ouvir todos esses sintomas que já estão fazendo parte da minha vida. Ai, meu Deus!”
O médico continua:
–Tem mais: sensação de travamento, estalos, dificuldade para caminhar, menos vontade de ter relações sexuais e desânimo para as atividades do dia a dia.
Eu o interrompo com certa rudeza, sem pensar:
–E quantos destes sintomas eu preciso ter para indicação de cirurgia?
Ele pigarreia, põe a mão na boca e fica me olhando alguns segundos antes de responder:
–Mas você quer fazer cirurgia?
Arregalo os olhos:
–Claro que não, mas, se for o último recurso, já considero fazer, não aguento mais!
Ele faz sinal de calma com as mãos:
–Espera. Não existe um número específico de sintomas que defina o momento exato de fazer uma cirurgia de prótese de quadril. Não dá para saber ainda se já é o seu caso.
Me sinto nervosa:
–Mas como é que eu vou saber, então, doutor?
Ele se movimenta na cadeira:
–Vamos tentar o tratamento conservador primeiro, com mudança dos hábitos que causam a dor, orientação postural…
Pergunto, bem desanimada:
–Não caminhar e fazer RPG?
–Sim. E/ou pilates!
–Hum…
Não faço cara de contente, e ele prossegue:
–Uso de analgésicos, anti-inflamatórios e acupuntura.
Suspiro:
–Acupuntura… Então, existe uma chance?
–Sim. Se não funcionar, só depois disso seguimos para a cirurgia.
Meu coração parece que vai parar.
“Eu não quero pôr prótese, meu Deus! Não quero! Me ajuda!”
Naquele dia, eu fui embora do consultório muito triste, mas tentando ter esperança com o tratamento.
A virada
Só que, meses depois, a situação não tinha mudado quase nada. Nem quis voltar àquele médico; procurei outras opções e acabei lendo um artigo sobre células-tronco numa revista. Quase dei um pulo da cadeira no dia em que isso aconteceu:
–Meu Deus! Será que as células-tronco podem ajudar o meu quadril?
Eu praticamente chorei quando vi que podia haver uma luz no fim do túnel.
Não demorou muito e eu me consultei com o Dr. Tércio Rocha, indicado por um amigo que tinha feito tratamento com ele.
“Será?”
Eu estava mais do que esperançosa:
–Quero as células-tronco já, doutor!
Ele ri:
–Calma, Mariana, primeiro vamos avaliar os seus exames, ver se você tem indicação e programar o tratamento.
Ele me explicou que o uso de células-tronco nas lesões da cartilagem ainda está sendo estudado, que os resultados variam de pessoa para pessoa e que, como todo procedimento, tem riscos e contraindicações, que ele avalia caso a caso.
–Eu quero o mais breve possível!
E assim foi!
Pouco tempo depois, eu estava fazendo minha primeira aplicação de células-tronco via endovenosa e local, no que o Tércio chama de “técnica sanduíche”. Além de chamar as células de “Partículas Divinas”!
“Vai dar certo, meu Deus. Vai dar certo!”
Em algumas semanas, comecei a perceber diferença. A dor começou a diminuir logo depois da aplicação local, não totalmente, mas começou a ceder ali.
–Não é possível, meu Deus!
Era tão bom que eu mesma custava a acreditar!
Eu senti que até o sono melhorou, e achei a pele e o cabelo mais bonitos!
Em um mês, eu voltei a fazer caminhadas, sem dor! Minha alegria pela vida voltou! E, com o passar dos meses, fui voltando a fazer outros esportes, gradativamente, controlando a dor e respeitando meus limites nesse processo todo, com a fisioterapia e o acompanhamento.
A dor foi diminuindo bastante. Senti a musculatura mais forte, coisa que eu nem esperava. E, depois, meu humor melhorou demais, porque eu tinha liberdade outra vez.
Acabei levando outra amiga para conhecer o Dr. Tércio.
“Não tem preço que pague me sentir viva outra vez!”
Eu tinha ouvido que o desgaste da cartilagem não volta atrás. Hoje convivo muito melhor com o meu quadril.
E eu simplesmente estou aqui.
Dou alguns passos e estico os dois braços para cima.
Dou um salto no trampolim e mergulho na piscina.
“Viva, outra vez! Bem viva!”
Os nomes e alguns detalhes foram alterados para preservar a identidade dos pacientes. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Sobre o autor
Dr. Tércio Rocha
Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974
Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.
Conhecer a trajetória



