Fibromialgia e as células-tronco
A fibromialgia causa dor difusa, cansaço e sono ruim. Explico os sintomas, o tratamento multidisciplinar e o que se estuda hoje com células-tronco.

Fibromialgia!
Você já deve ter ouvido este nome.
O que é a fibromialgia
A fibromialgia é uma doença reumatológica que afeta a musculatura, causando vários tipos de dor e tornando a vida do paciente algo insustentável ao longo do tempo.
Trata-se de uma síndrome, e a dor fica associada a outros sintomas, como fadiga, problemas do sono, distúrbios intestinais, depressão e ansiedade. Atinge cerca de 2% a 3% da população mundial e é mais comum em mulheres.
Este problema é tão grave que já ouvi de pacientes que eu fui o último recurso deles antes de uma tentativa de suicídio.
Acredite! Viver com dores constantes que só aumentam e sem perspectiva de melhora acaba com a vontade de viver de qualquer ser humano.
Eu me sinto absolutamente feliz e realizado, como médico que trabalha com medicina regenerativa, por poder oferecer mais uma possibilidade de tratamento a essas pessoas.
A fibromialgia é complexa porque não tem causas e mecanismos totalmente conhecidos. O que se sabe é que o paciente que tem a síndrome possui maior sensibilidade à dor, e isso está relacionado com o centro de dor no sistema nervoso. Dessa maneira, nervos, medula e cérebro fazem com que qualquer estímulo doloroso seja mais intenso. Ou seja: o paciente sofre!
Os sintomas
Os sintomas são diversos e, para cada paciente, ocorrem de uma maneira: uma dor que acomete a pessoa por mais de três meses em todo ou em qualquer parte do corpo, pontos dolorosos na musculatura, insônia, cansaço, depressão, ansiedade, problemas no intestino e alterações cognitivas, como falta de memória ou de concentração.
Os principais pontos de dor são: cervical, tórax, abdômen, dorso, lombar, mandíbulas, ombros, braços, antebraços, quadril, coxas e pernas, todos podendo variar entre lado esquerdo, direito ou ambos. São dores irregulares que variam de local, intensidade e horário, mas que se repetem cada dia mais e com mais intensidade, aumentando os pontos em que ocorrem.
A dor é difusa pelo corpo, mas há casos em que é mais localizada. Geralmente, a pessoa tem dificuldade de lembrar quando e como começou a dor, já que ela começa de forma leve, e o paciente acredita que poderá ser passageira. Porém, a intensidade da dor vai aumentando com o passar do tempo. Pacientes relatam que a dor é mais intensa no final do dia, mas pode ocorrer dor pela manhã. Esta dor é tão profunda que muitos se referem a ela como “dor nos ossos”.
É uma tristeza sem fim!
As pessoas com fibromialgia passam por tanto sofrimento que têm maior sensibilidade ao toque, e muitas não toleram mais nem mesmo ser abraçadas.
Isso afeta toda a vida do paciente: ele vai deixando de querer viver.
Uma história de recomeço
Tenho o caso de uma paciente, uma senhora, que já havia desistido da vida quando me encontrou. Felizmente, suas dores começaram a diminuir nos três primeiros meses depois que iniciamos seu protocolo com células-tronco e, quando se completaram seis meses, elas estavam muito menores. Cada paciente responde de um jeito, e não há como prometer o mesmo resultado a todos.
Após oito anos de fibromialgia e nenhuma perspectiva de melhora, minha paciente já havia decidido tirar a própria vida. Com o tratamento, junto com o acompanhamento psicológico, ela voltou a ter vontade de viver, e até mesmo a sua espiritualidade, que antes não existia, nasceu em sua alma, tamanha a gratidão que sentiu.
Esse é o meu trabalho, essa é a minha vida! E, quando sou testemunha da vida voltando ao corpo e à alma de um paciente, eu me sinto absolutamente grato pelo caminho que me trouxe até aqui.
O tratamento
O tratamento da fibromialgia tem de ser multidisciplinar, incluindo medicamentos, atividade física, acompanhamento psicológico e massagens, além de antidepressivos e ansiolíticos, após a avaliação psiquiátrica e do padrão do sono, porque é uma doença que envolve muito sofrimento psicológico e emocional. Esse continua sendo o tratamento padrão, e nenhum remédio deve ser interrompido por conta própria.
A vida do paciente fica afetada negativamente em todos os seus níveis.
A fibromialgia ainda não tem cura, mas tem tratamento, e o controle dos sintomas muda a vida do paciente. Teoricamente, ela não leva à morte, mas leva muitos pacientes ao pensamento suicida, e alguns à conclusão de fato.
Estamos falando de uma doença grave, levando em consideração o que ela faz com o psicológico do paciente. Sozinha, ela não mata o corpo, mas mata lentamente a alma do indivíduo, elimina sua vontade de viver e, posteriormente, pode levar à vontade de tirar a própria vida.
As células-tronco vêm sendo estudadas na fibromialgia e, em alguns pacientes, ajudam a reduzir a dor e a melhorar o sono, como parte de um tratamento mais amplo. A aplicação é endovenosa e sistêmica e, quando necessário, local. Como todo procedimento, tem riscos e contraindicações, que são avaliados caso a caso na consulta.
Quando o tratamento funciona bem, o paciente se vê finalmente dormindo bem outra vez e acordando com disposição. Muitos relatam melhora do apetite, da musculatura, da disposição, da alegria e do bom humor. Mas o melhor para esse paciente é perceber as dores diminuindo gradativamente.
Ver meus pacientes voltando a dormir e a se mexer sem dor é uma das maiores satisfações que tenho hoje na vida, pois é como assistir a pessoas adultas renascendo, e assim eu também renasço a cada testemunho.
Meus pacientes se sentem gratos, e eu mais ainda!
Se você está passando por sofrimento emocional ou pensa em tirar a própria vida, procure ajuda: o CVV atende 24 horas pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.
Os nomes e alguns detalhes foram alterados para preservar a identidade dos pacientes. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Sobre o autor
Dr. Tércio Rocha
Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974
Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.
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