O que Cristiano Ronaldo e Rafael Nadal têm em comum? Células-tronco no esporte
Atletas sobrecarregam joelhos, quadris e coluna por anos. Explico como as células-tronco entram no cuidado dessas lesões e o que ainda está em estudo.

–Eu não quero operar, Doutor Tércio, não quero!
–Calma, Fernanda!
Ela me olha com os olhos lacrimejados e sussurra:
–Me ajuda!
"Oh, meu Deus…"
O pedido de ajuda foi de ninguém mais, ninguém menos que de uma das melhores jogadoras de vôlei do século, senhoras e senhores: Fernanda Venturini!
O preço do esporte
Imagine como é a vida de um atleta, que sacrifica todo o seu corpo durante uma vida por um determinado esporte!
No caso da Fernanda, ela jogou por mais de duas décadas, horas a fio, todos os dias, correndo, pulando e cortando a bola do jeito que a gente sempre amou assistir ao vivo ou pela televisão. Mas é claro que esse esforço todo acaba cobrando um preço.
A minha jogadora de vôlei favorita desenvolveu artrite e artrose nos joelhos e no quadril, há anos, quando ainda jogava em seu último time. Foi lá atrás que ela começou a procurar médicos, fisioterapeutas, terapias e remédios de todo tipo, mas quase sempre ouviu o que menos queria ouvir:
–Vai ter que operar! E colocar próteses!
A saída que ela encontrou para evitar a mesa de cirurgia e o medo de um resultado ruim foi encarar a dor, por vários anos, mas quem aguenta viver com dor? E o pior para ela não era isso, mas o fato de que ainda queria se exercitar. E, com a dor, não conseguia.
Fernanda é uma mulher cheia de vida, energia, disposição, alegria e que até hoje pratica exercícios físicos diariamente. E mais de um!
Quando ela me procurou, estava desesperada, e, depois da avaliação, optamos pela aplicação de células-tronco nos joelhos e no quadril, além da aplicação endovenosa. No caso dela, depois de duas aplicações, as dores melhoraram muito, ela não precisou de prótese até aqui e hoje se exercita com liberdade.
Fernanda agora é ciclista, corredora, jogadora e praticante de stand-up!
Essa é a experiência de uma paciente, e cada corpo responde de um jeito. Para algumas lesões ortopédicas, as células-tronco podem ser uma alternativa a considerar antes da cirurgia, com indicação individual. Em outros casos, a cirurgia continua sendo o melhor caminho, e essa conversa precisa ser feita com calma, junto com o ortopedista.
Atletas do mundo todo
O interesse pelas células-tronco também aparece fora do Brasil, entre atletas do mundo todo.
Cristiano Ronaldo, considerado o melhor jogador de futebol do mundo mais de uma vez, já expôs para todos que faz vários tratamentos e segue dietas específicas com suplementos para manter a saúde e a sua melhor performance, e a imprensa esportiva já noticiou o interesse dele por terapias com células-tronco.
O famoso tenista Rafael Nadal também recorreu, segundo reportagens da época, a tratamentos com células-tronco para lesões, principalmente nas costas e no joelho.
O interesse de atletas mostra que o tema ganhou espaço nos noticiários e nas mídias sociais. A eficácia, porém, se mede em estudos, e não em quem usou. São décadas de pesquisa, e esse conhecimento hoje está cada vez mais acessível.
Não é preciso ser uma celebridade para conhecer os tratamentos com células-tronco: eles estão aí, à disposição de quem tiver indicação.
E para quem não é atleta?
Na aplicação endovenosa, as células-tronco circulam pelo organismo e têm afinidade por áreas inflamadas, onde liberam substâncias que ajudam a modular a inflamação e a apoiar a regeneração.
Nos tratamentos locais, como no joelho ou no quadril, muitos pacientes relatam alívio da dor nas semanas seguintes. Os resultados variam de pessoa para pessoa.
As células-tronco também são usadas em tratamentos de beleza. É um procedimento pouco invasivo, mas, como todo procedimento, tem riscos e contraindicações, que são avaliados caso a caso na consulta.
Muitos pacientes contam que se sentem mais bem-dispostos, mais bem-humorados e com mais vontade de viver, porque a mudança acontece de dentro para fora. Há quem volte a caminhar, correr, estudar, namorar e até comece a fazer atividades que nunca fez antes, como pintar, dançar ou aprender algo novo na universidade.
Não é preciso ser um atleta para usar células-tronco, mas a indicação é sempre individual, depois de uma avaliação.
Se cuidar significa viver bem e viver melhor. Também se vive mais, mas, antes de tudo, se vive de verdade!
Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Sobre o autor
Dr. Tércio Rocha
Médico endocrinologista · CRM SP 148068 · CRM RJ 525847 · CRM SC 30974
Médico endocrinologista com mais de 34 anos de experiência clínica e de pesquisa, o Dr. Tércio Rocha atua com medicina regenerativa e protocolos de longevidade desde 1990. Sua história pessoal com uma doença agressiva moldou a forma como enxerga cada paciente: como um organismo com capacidade de regeneração, que precisa das ferramentas certas para se reconstruir.
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